Comprar remédio para o SUS deveria ser simples, mas no Brasil costuma ser lento e caro. O processo licitatório, pensado para contratações complexas, torna-se ineficiente quando aplicado a itens padronizados, como medicamentos de uso corrente. A morosidade, muitas vezes, impede que o remédio chegue ao paciente no tempo necessário. O deputado federal e ex-secretário municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz, resume o problema com uma estimativa direta: a cada R$3 gastos na compra de medicamentos pelo SUS, cerca de R$1 é desperdiçado.
Um exemplo ajuda a dimensionar o desperdício: a dipirona, um dos medicamentos mais usados no país, chega a ter quase 4 mil licitações por ano, e a variação de preço entre as compras atinge 1.566%. Ou seja, o mesmo remédio é adquirido a valores radicalmente diferentes pela administração pública, sem ganho de qualidade e com enorme perda de eficiência. Multiplicado por centenas de itens, esse padrão custa bilhões ao sistema todos os anos.
A resposta legislativa foi o Sicx, o Sistema de Compras Expressas. Soranz foi autor do Projeto de Lei 2133/2023, que transformou-se na Lei 15.266/2025. A nova legislação facilita e agiliza a aquisição de medicamentos e produtos padronizados pela administração pública, reduzindo custos e prevenindo a falta de insumos nos hospitais. A lógica é tratar item comum como item comum: padronizar, acelerar e dar transparência, em vez de repetir milhares de processos lentos para comprar o mesmo produto.
O potencial de economia é expressivo. Aplicado apenas às compras de medicamentos, o Sicx pode gerar uma economia da ordem de R$ 6,5 bilhões por ano, considerando o conjunto dos medicamentos. Só no segmento de genéricos, a economia estimada chega a R$ 1,2 bilhão. Em um sistema que disputa cada real de orçamento, recursos dessa magnitude representam mais atendimento, mais exames e mais remédios disponíveis para a população.
“O Sicx nasce de uma constatação simples: o SUS perde dinheiro com burocracia que não entrega nada ao paciente”, afirma Daniel Soranz. “Quando a gente reduz a variação de preços e acelera a compra de itens padronizados, esse dinheiro volta para a saúde, em forma de remédio na prateleira e atendimento na ponta.”
A aprovação da lei é tratada pelo mandato como um dos resultados mais concretos do trabalho na Câmara, porque combina três objetivos de uma vez: economia de recursos, mais agilidade e mais transparência nas contratações públicas. Para acompanhar preços e dar publicidade aos dados, a referência é o Banco de Preços em Saúde, mantido pelo Ministério da Saúde. O próximo passo, segundo o deputado, é a regulamentação e a implementação efetiva do sistema, para que a economia projetada no papel se converta em ganho real para os hospitais e para os pacientes do SUS.