Em abril de 2023, o deputado federal e médico Daniel Soranz visitou o almoxarifado central do Ministério da Saúde, em Brasília, e encontrou um cenário que ajuda a explicar por que o SUS perde recursos: R$ 2,2 bilhões em insumos de saúde foram descartados no local, e havia 75 milhões de itens com vencimento previsto para os três meses seguintes. A fiscalização deixou evidente a falta de organização dos processos de compra e de logística, com produtos parados em estoque enquanto a população seguia precisando deles.
O episódio teve repercussão nacional e foi noticiado pelo Jornal Nacional, mas o ponto central, para o mandato, não era o flagrante e sim a causa. Insumos vencem em larga escala quando o sistema compra mal, armazena mal e não enxerga o próprio estoque em tempo real. Sem informação atualizada sobre o que existe, onde está e quando vence, o desperdício deixa de ser exceção e vira rotina, com custo bilionário para o SUS.
A resposta legislativa foi pedir agilidade a uma solução estrutural. O mandato solicitou urgência na tramitação do PL 1932/2021, que determina a atualização e o controle do abastecimento de medicamentos e produtos para a saúde por meio de um sistema integrado de acompanhamento dos estoques em tempo real. A proposta ataca a raiz do problema: dar ao gestor público uma visão precisa e atualizada do que está disponível, de modo a redistribuir o que vai vencer e comprar apenas o necessário.
“Não dá para aceitar que o SUS jogue fora bilhões em remédios e insumos enquanto falta produto na ponta”, afirma Daniel Soranz. “O problema não é falta de dinheiro apenas, é também falta de gestão e de informação. Com controle de estoque em tempo real, a gente transforma desperdício em atendimento.”
O tema conversa diretamente com outra prioridade do mandato, o Sicx, o Sistema de Compras Expressas criado pela Lei 15.266/2025. Enquanto o Sicx atua na ponta da compra, tornando a aquisição de itens padronizados mais rápida e barata, o controle de estoque atua na ponta da logística, evitando que o que foi comprado se perca antes de chegar ao paciente. Juntas, as duas frentes formam uma agenda de eficiência: comprar melhor e não desperdiçar o que já foi comprado.
Para Soranz, esse é o tipo de trabalho que raramente vira manchete, mas que faz diferença direta no caixa da saúde. Cada item que deixa de vencer no estoque é um recurso que pode se converter em consulta, exame ou tratamento. A fiscalização, nesse sentido, não é um fim em si: ela é o ponto de partida para mudar processos que, corrigidos, liberam recursos para o que importa, o atendimento à população.