Fiscalizar não é apenas denunciar. É voltar, verificar e cobrar. É com essa lógica que o deputado federal Daniel Soranz iniciou, em 22 de junho de 2026, uma nova rodada de fiscalizações nas unidades federais de saúde do Rio de Janeiro, pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados. O objetivo é comparar o que foi encontrado em 2023 com o que existe hoje, medir os avanços conquistados e identificar o que ainda precisa mudar.

A justificativa formal do requerimento é direta: acompanhar in loco as condições de funcionamento, a infraestrutura, a disponibilidade de insumos e equipamentos, a gestão assistencial e a aplicação dos recursos públicos federais. Mas o contexto que dá peso a essa nova rodada é o que aconteceu nos três anos anteriores.

Em 2023, uma série de visitas técnicas coordenadas por Soranz na mesma comissão encontrou um cenário de abandono: 1.045 leitos fechados na rede federal do Rio, emergências paralisadas, obras paradas há anos, unidades funcionando muito abaixo da sua capacidade. O diagnóstico foi apresentado publicamente, levou ao engajamento do Ministério da Saúde e abriu caminho para uma série de medidas concretas: a Prefeitura do Rio assumiu a administração dos hospitais do Andaraí e Cardoso Fontes, a emergência do Hospital Federal de Bonsucesso foi reaberta em fevereiro de 2025, e mais de R$ 1,2 bilhão foram comprometidos para a requalificação da rede.

Os resultados aparecem nos dados. No Hospital do Andaraí, a oferta de procedimentos pelo Sisreg saltou de 1.498, em 2024, para 49.634 em 2025 — crescimento de 3.213%. No Hospital Cardoso Fontes, o avanço foi de 545 para 19.736 procedimentos, alta de 3.521%. Leitos foram reabertos, setores foram reinaugurados e serviços que estavam há anos paralisados voltaram a funcionar.

Mas o trabalho não terminou. Ao todo, 22 unidades serão vistoriadas ao longo dos próximos dois meses, em uma das mais abrangentes rodadas de fiscalização já realizadas pelo Congresso sobre a rede federal de saúde do Rio. "Fiscalização de verdade é acompanhar, cobrar e verificar se as mudanças aconteceram", resume o deputado. "Não basta expor o problema e ir embora. É preciso voltar".

A nova rodada de inspeções vai olhar tanto para o que avançou quanto para o que ainda falta. Hospitais universitários, institutos nacionais de referência e unidades que ainda não foram alcançadas pelo processo de requalificação entram no escopo desta fase. O critério é o mesmo de 2023: visita presencial, olho no funcionamento, conversa com as equipes e diagnóstico baseado no que existe de fato, não no que aparece nos relatórios.

Para Soranz, a continuidade da fiscalização é parte indissociável da agenda de defesa do SUS. A rede federal de saúde do Rio atende pacientes de todo o estado e de outros estados brasileiros, concentrando especialidades de alta complexidade que não existem em muitos municípios. Garantir que essas unidades funcionem bem é uma responsabilidade que não cabe em um único relatório ou em um único mandato.