Boa parte do trabalho mais decisivo do Congresso acontece nas comissões, longe do Plenário. Esses órgãos temáticos reúnem deputados para debater e votar propostas ligadas a cada área, e o peso desse trabalho é enorme: mais de 80% dos projetos de lei não precisam ser votados pelo Plenário, pois, se aprovados nas comissões, já seguem para o Senado. É nesse terreno que Daniel Soranz concentra parte central da sua atuação.
Na Comissão de Saúde, o mandato trabalha pela efetivação do direito constitucional à saúde, com foco na alocação adequada de recursos e na ampliação do acesso. Dois episódios marcam essa atuação: Soranz solicitou e presidiu uma audiência pública sobre reforma tributária e a oneração de produtos nocivos à saúde, debatendo a sobretaxa de itens que causam danos à população. Também barrou uma audiência pública que pretendia discutir supostos efeitos colaterais da vacinação sem metodologia organizada para apresentar essas informações, reforçando o compromisso com dados e evidências técnico-científicas.
Na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, o foco é acompanhar a aplicação dos recursos da saúde. Foi nesse âmbito que o mandato identificou irregularidades nas unidades federais e elaborou um plano de trabalho e monitoramento. Duas frentes se destacam: a visita ao almoxarifado central do Ministério da Saúde, em abril de 2023, onde se constatou o descarte de R$ 2,2 bilhões em insumos e a existência de 75 milhões de itens prestes a vencer; e a fiscalização dos hospitais federais do Rio, que revelou 1.045 leitos fechados e levou os hospitais do Andaraí e Cardoso Fontes à administração da Prefeitura, com posterior reabertura de leitos e serviços.
Soranz também integra a Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação, partindo da convicção de que a pesquisa científica é um passo fundamental para ofertar saúde de qualidade. “Só por meio da ciência é possível construir políticas a partir de evidências”, costuma afirmar o deputado, que é epidemiologista de formação.
A defesa da saúde da mulher aparece na Comissão Especial sobre Violência Obstétrica e Morte Materna. O tema é urgente: a mortalidade materna no Brasil, que registra mortes relacionadas a complicações no parto, na gravidez e no puerpério, aumentou 94% durante a pandemia de Covid-19. Para o mandato, o bem-estar físico, mental e social da mulher brasileira precisa ser tratado com responsabilidade e prioridade.
“As comissões são onde a gente faz a maior parte do trabalho de verdade”, afirma Daniel Soranz. “É lá que se fiscaliza, se constrói consenso e se aprova o que vai mudar a vida das pessoas, com base em dados e não em achismo”.
A presença simultânea em comissões de saúde, fiscalização, ciência e direitos da mulher reflete a forma como Soranz entende o mandato: defender o SUS exige propor, fiscalizar e sustentar o debate público com evidência. São funções diferentes, mas que se completam dentro da mesma agenda de fortalecimento da saúde pública.