O Vidigal tem, desde 28 de março de 2026, o que a comunidade aguardava há anos: uma clínica da família estruturada, ampla e de fácil acesso. A inauguração da Clínica da Família Rodolpho Perissé, na Rua Dr. Olinto de Magalhães, 53, marcou a chegada da 241ª unidade de atenção primária à rede municipal de saúde do Rio de Janeiro e deu mais um passo concreto na meta de levar cobertura de saúde a 80% dos cariocas.

A história do espaço começa antes da fachada nova. O imóvel estava sendo construído irregularmente na comunidade quando a Prefeitura do Rio precisou intervir, retomar o espaço e promover a desapropriação em 2023. Depois do reforço estrutural e da adequação do prédio, o que era fruto de uma irregularidade passou a abrigar um serviço público essencial, com acessibilidade universal, climatização adequada e estrutura preparada para equipamentos médicos.

A unidade já nasce em operação com três equipes de saúde da família, atendendo um território de aproximadamente 15 mil pessoas cadastradas. No térreo, com 292 m², funcionam a recepção, o acolhimento de pacientes, a farmácia e a sala de vacinação. No primeiro andar, estão os atendimentos especializados e procedimentos clínicos, incluindo consultório médico, setor de odontologia e sala de coleta de exames. A segunda fase da obra, com previsão de conclusão até o fim de 2026, vai ampliar o espaço com mais consultórios e áreas administrativas.

Daniel Soranz, secretário municipal de Saúde do Rio, esteve presente na inauguração e realizou pessoalmente a aplicação do Implanon, implante subdérmico contraceptivo, em moradoras do Vidigal logo após a abertura da unidade. O procedimento, que garante três anos de proteção contra a gravidez, tem custo elevado no mercado privado, podendo chegar a R$ 3 mil — na rede pública, é oferecido gratuitamente. O Rio é o estado campeão nacional na distribuição do Implanon, o que contribuiu para reduzir em mais de três vezes a gravidez na adolescência na cidade.

O avanço da 241ª unidade se insere em uma trajetória de reconstrução que é uma das histórias mais expressivas da gestão pública de saúde no Brasil. Em 2009, quando Daniel Soranz assumiu a Subsecretaria de Atenção Primária, apenas 3,5% dos cariocas tinham acesso a uma equipe de saúde da família. Em 2016, esse número havia chegado a 70%, com 115 Clínicas da Família construídas e 1.280 equipes implantadas — feito que rendeu ao Brasil o Prêmio WONCA, o maior reconhecimento mundial em Medicina de Família e Comunidade. Entre 2017 e 2020, a cobertura despencou para 39%, com o desmonte da rede. A partir de 2021, a reconstrução recomeçou: hoje, a cobertura da Estratégia Saúde da Família está em 77%, e o município caminha para 80% de cobertura total de atenção primária, com mais seis clínicas da família previstas para abertura até 2028.

"Esse é um equipamento que é um sonho daqui do Vidigal", disse o prefeito Eduardo Cavaliere na inauguração. Para Daniel Soranz, é mais um marco em uma conta que ele começou a construir há mais de 15 anos e que segue aberta: o Rio ainda não chegou onde precisa chegar, mas sabe exatamente o caminho.